Publicado por: Renné | 25/07/2010

A Origem

Christopher Nolan ganha rios de dinheiros para a Warner com os filmes do Batman. Em contrapartida, o estúdio parece dar ao diretor liberdade total para projetos “diferentes”. Já havia sido assim com “O Grande Truque” e é agora com “A Origem”. Este é o caso de filme que quanto menos se falar melhor para a experiência do espectador. Pode-se dizer que é basicamente uma espécie de “Onze Homens e um Segredo”. Só que se passa dentro de um sonho. Hein? É isso mesmo. O filme trata de um grupo, liderado por Leonardo DiCaprio, que é especializado em roubar idéias na mente das pessoas. Achou essa premissa uma viagem? Pois não faz idéia do que é o resto.

Nolan gosta de brincar com os dogmas da narrativa cinematográfica. Em “Amnésia” subverteu a edição linear ao contar uma história de trás para frente. “O Grande Truque” cria camadas narrativas e leva o conceito de flashback a um nível antes inimaginável. E em “A Origem”, o diretor transforma a noção de montagem paralela.

Quando (no inicinho do século XX), Griffith criou, inspirado pela literatura, as duas sequências simultâneas que no final culminavam no mesmo ponto, ele inventou uma forma de edição que é até hoje usada exaustivamente pela narrativa cinematográfica. Duas ações ocorrem simultaneamente, e são mostradas em paralelo, aumentando a tensão da platéia. Em “A Origem”, a montagem paralela se faz em quatro linhas narrativas diferentes (o que já é mais do que o normal), mas não se contenta com isso. O arco final do filme não junta apenas quatro espaços distintos. Junta quatro tempos diferentes. E quando falo em tempo, não estou dizendo de passado, presente e futuro. São segundos, minutos, horas, meses e anos. Uma ação que dura alguns segundos, acontece ao mesmo tempo que outra que dura minutos, outra que dura horas e uma outra que dura anos. Não são flashbacks. É uma ação paralela. Está realmente tudo acontecendo ao mesmo tempo.

Como o cineasta conseguiu isso? Só mesmo vendo o filme para entender. E isso é só um detalhe narrativo. O elenco está ótimo, a ação alucinante e a história é espetacular. “A Origem” é sobre a imagem, sobre idéias e sonhos. A linguagem do filme, assim como “Amnésia” e “O Grande Truque” já é a história contada nas telas. O filme faz com a gente o que os personagens procuram fazer nas telas: invade o nosso subconsciente e planta idéias que são difíceis de esquecer. Nolan talvez seja atualmente o mais original dos grandes diretores de Hollywood. Depois de “O Cavaleiro das Trevas” e deste “A Origem”, vou sem medo em qualquer coisa que ele dirigir. Mesmo que seja um filme da Xuxa.

Anúncios

Responses

  1. tem temposque estou querendo ver esse filme e tem tempo que nenhum filme me deixa com essa vontade. Na expectativa.

    Abração


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: