Publicado por: Renné | 23/11/2009

Mas meus olhos não se cansam

No dia 09 de novembro de 1989, com meus oito anos de idade, vi algo extraordinário na televisão. Não tinha as condições ainda de entender por completo aquilo, mas sabia que era importante. Estavam derrubando um muro que dividia uma cidade ao meio. Minha mãe contou que netos poderiam ver os avós e amigos que estavam separados poderiam se encontrar. Eu lembro de olhar aquilo impressionado, porque eram as pessoas, gente normal, que estavam derrubando tudo. Com grandes picaretas ou machadinhos, elas quebravam o concreto. E sorriam. E cantavam. Muitos ali embaixo, vários em cima. Um policial chegou com uma mangueira enorme, como se para deter a multidão com jatos d’água. Um jovem o encarou e sacou… um guarda-chuva! Era uma festa. Era lindo. Eu via os repórteres na televisão - e na minha memória é mais clara a figura do Pedro Bial - e pela primeira vez pensei: “É isso que quero fazer. Eu quero ver a história acontecer”.

Segui a vida, acabei fazendo jornalismo para ver a história acontecer, mas entrei por outros caminhos daquele curso. Caminhos que me trouxeram para Berlim, para ver um pedaço daquela história continuar a acontecer. Não importa que sonhos aquela criança tinha naquele novembro de 89, eu garanto que ela nunca imaginou estar no local daquelas imagens que tanto a fascinaram exatos 20 anos depois…

O dia começou para mim na Alexanderplatz. Fui andar pela praça, ver a espetacular Fonte de Netuno e ainda encontrar uma estátua de Marx e Engels.  Quis olhar o muro mais uma vez antes de ir para o Brandenburg, onde seria o centro da celebração. Almocei perto do Checkpoint Charlie, olhando para aquele concreto sujo e pichado, imaginando e lembrando imagens icônicas como a moça em pé numa escada acenando para o outro lado do muro. Segui para o Portão e precisava tomar uma decisão logo. De um lado do Brandenburg, na frente, haveria uma ópera, com Placido Domingo e tudo. Do outro lado, atrás do Portão, teria os dominós, os discursos políticos, show do Bon Jovi (até agora não entendi o que Bon Jovi tem a ver com o muro…). Fui para a parte de trás, parecia mais interessante e era de onde foram feitas as imagens que vi nos meus oito anos. 

Cheguei cedo e peguei um ótimo lugar, bem na frente. Aí era esperar, em pé e no frio. Logo já estava tudo cheio. Umas duas horas depois, começou a chover. E a chuva foi apertando e de repente se transformou na chuva mais pesada que peguei em Berlim em toda a viagem. Fazia três graus, minha touca começou a encharcar e depois de uma hora na chuva, desisti. Fui encontrar um lugar para me esconder. Faltava ainda uma hora para a celebração começar. Eu tremia todo, as mãos e pés doíam como se estivessem congelados. Então o telão passou um clipe com aquelas imagens da minha infância e começou a transmitir a ópera do outro lado do Portão. De repente, nos prédios em volta do Brandenburg, anjos surgiram no topo, em uma clara referência ao filme “Asas do Desejo”. Homens e mulheres de chapéu, sobretudo, maleta e enormes asas brancas nas costas, em pé, lá em cima dos prédios. A ópera começou a tocar uma música que não sei o nome, mas que os alemães cantaram 20 anos atrás na derrubada do muro. E eles começaram a cantar de novo, ali, em volta de mim. Cantavam o “refrão”, pulavam.

E então eu percebi. Fazia frio para mim e para os outros turistas que se escondiam da chuva. Os alemães estavam lá, em pé, imóveis, molhados e felizes. A felicidade era palpável naquele momento. Eles riam, os olhos brilhavam.

Voltei pra chuva, não viajei aquilo tudo para ficar ali, escondido. Claro que era impossível voltar ao local onde eu estava antes, mas consegui chegar um pouco mais perto. A ópera acabou e um menininho atravessou o Portão para o lado de cá, assobiando a introdução de “Wind of Change”, do Scorpions. Atrás dele várias outras crianças, e atrás delas, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, Gordon Brown, Hillary Clinton e Mikhail Gorbachev. Cada um deles fez seu discurso, e quando Gorbachev foi delirantemente aplaudido pela multidão, entendi a importância daquele homem para aquele povo. Passaram mais imagens no telão com o muro caindo, carros antigos atravessando para o outro lado. As pessoas aplaudiam, vibravam. Lech Walessa empurrou a primeira peça de dominó, dando início à queda em toda a cidade.

Bon Jovi cantou a música “We Weren’t Born To Follow” e depois Paul van Dyk cantou “We Are One” . O “Fest der Freiheit” acabava. Com os dominós caídos, voltei para o albergue, dando várias voltas por causa do trânsito modificado.

A sola dos pés doía, as pernas também. Ao todo, fiquei mais de sete horas em pé, no frio. Mas voltando no meio da rua fechada para os carros, na companhia de centenas de pessoas ao meu lado, não tive como não lembrar de uma frase dita pelo Pedro Bial naquele nove de novembro de vinte anos antes. “Meus braços e pernas estão cansados. Mas meus olhos não se cansam de ver a história acontecer”.

Brandenburg em noite de festa

Publicado por: Renné | 22/11/2009

Berlim

Do avião não consegui ver Berlim. Havia muita neblina, e o cinza que via pela janela não mudou muito quando desembarquei no aeroporto. Era cerca de meio-dia e não havia sol, fazia cinco graus e chovia fino. Eu sentia uma ansiedade maior na cidade: em parte pelas comemorações de 20 anos da queda do muro – que aconteceria na noite do dia seguinte – e em parte por causa do albergue. Em Berlim encontrei o albergue mais barato que podia, dez euros por dia, o que por aqui significava quase de graça. Depois arrependi, pensei no barato que sai caro. Que tipo de segurança poderia ter por este preço? E qual seria o estado do lugar? Localizado nos arredores da famosa Alexanderplatz, o albergue tinha uma estrutura surpreendentemente fenomenal. Aquecedor, inúmeros banheiros impecáveis, muita segurança e quartos amplos e limpos. Dividi o quarto com mais sete pessoas, mas conheci apenas dois rapazes da Malásia, uma garota de Hong Kong e outra dos Estados Unidos.

O Brandenburg nas cores da Alemanha

Neste primeiro dia usei todas as blusas que levava em minha mochila. Todas de uma vez. Uma por cima da outra. Saí do quarto com alguns quilos a mais (assim como a TV, o frio engorda) e resolvi seguir a Unter den Liden até o Portão de Brandenburg. Eu estava no que antes era chamado Berlim Oriental, o lado soviético, lembrando que o muro passava por trás do Brandenburg (naquelas icônicas imagens da queda do muro, o Portão aparece de “costas”) e queria logo ver os dominós que estavam colocados no lugar do muro para serem derrubados no dia seguinte. Saindo do albergue, senti que todas as blusas não bastariam, precisei também de touca, cachecol e luvas para suportar o frio da tarde.

O Brandenburg estava cercado e o trânsito interrompido nas vias próximas a ele, já com os preparativos para a festa. Passei para o outro lado, vi os dominós, bebi cerveja e comi currywurst. De repente, já era noite. Em Berlim anoitecia às quatro e meia da tarde…  Andando pelo que seria o lado ocidental, encontrei pedaços do muro pelo caminho, e senti uma emoção estranha vendo aquelas ruínas de uma época tão recente. Lembrei do quanto o vi na televisão e nas revistas e como estudei sobre aquilo para as provas de História. Sem muito planejamento, cheguei ao Checkpoint Charlie, antiga fronteira norte-americana e que atualmente comporta um  museu sobre as tentativas de fuga para o lado ocidental. Eu me surpreendi como toda a história foi mercantilizada, com pessoas fantasias vendendo passaportes falsos (como aqueles que muitos usaram para cruzar os lados), medalhas e roupas do exército soviético e até pedaços do muro: os preços variavam segundo o tamanho.

Vendo tudo o que vi no museu e depois andando pela cidade, percebi pela primeira vez a tristeza que é a história alemã. A crise econômica pós-Primeira Guerra, o nazismo, a Segunda Guerra e depois a divisão do país, com uma parede dividindo sua capital. Cada vez que olhava para aquele muro, sentia um arrepio na espinha por estar sempre a lembrar as loucuras de que o ser humano é capaz. Fui dormir cedo, no dia seguinte ia comemorar com os alemães a queda daquela crueldade.

Berliner Dom, catedral construída entre 1895 e 1905

Publicado por: Renné | 21/11/2009

Caminhando e andando

Último dia na Bélgica. Sábado e resolvo ir até o Átomo, a “Torre Eiffel” de Bruxelas, como diziam por lá. Construído para a Feira Mundial de 1958, o monumento representa um átomo de cristal de ferro ampliado 200 bilhões de vezes.  Chego ao metrô e não há bilheteria funcionando. As máquinas de venda de bilhetes não aceitam dinheiro, só cartão… Resolvi ir de bonde. Também não há lugar para comprar passagem no sábado… Ok, vou a pé mesmo.

Preciso explicar que o tal Átomo nem aparece no mapa da cidade. Lá em cima, no final, tem uma seta vermelha indicando que o Átomo “é praqueles lados”. Andei, andei, andei, até sair do mapa. Vi uma bela igreja, a Notre Dame, e um lindo cemitério ao lado dela. Sem mapa, ia pelo rumo, olhando as placas para carros que indicavam como chegar. Até que avistei o monumento de longe, e fui andando até ele. A chuva dava um tempo e depois continuava fina. Cheguei ao Átomo. A chuva apertou e me escondi debaixo dele – nunca pensei que me esconderia sob um átomo – ao mesmo tempo em que descansava da longa caminhada.

Não me dando por satisfeito, resolvi que tinha que ir ao Parlamento Europeu. É, a sede oficial da União Européia fica em Bruxelas, e como era o último dia, resolvi não perder a oportunidade. Mas o Parlamento ficava do outro lado da cidade. Do outro lado mesmo!

Andei, andei, andei como nunca andei. Preciso contar que na Bélgica se anda muito de bicicleta, elas tem uma via própria nos passeios, e por várias vezes eu me esquecia que aqueles tijolinhos vermelhos eram delas e quase era atropelado…  Finalmente cheguei ao Parlamento, e já que estava lá, resolvi ir até o Parc Du Cinquantenarie ver o Arc De Triomphe. Lá, sentei em um dos bancos, e senti o corpo todo doendo. Mas era tudo bonito demais para desanimar. Mas tenho que dizer que me deu uma tristeza enorme quando lembrei que tinha que voltar. A pé.

No dia seguinte cedo, e sem greve de maquinistas, peguei o trem para o aeroporto. Chegava finalmente a hora de Berlim e seu muro.

O Arco do Triunfo belga

Publicado por: Renné | 20/11/2009

In Bruges

Confesso que a primeira vez que ouvi falar de Bruges foi no filme “Na Mira do Chefe”, uma ótima comédia de humor negro estrelada por Colin Farrell. E ao desembarcar na estação da pequena cidade (que fica a uma hora de Bruxelas), você encontra de cara os DVDs do filme sendo vendidos.

A cidade pode ser percorrida toda a pé e eu peguei um mapa para traçar minha rota até a praça central (e palco do clímax do filme). Escolhi o caminho por dentro do Minnewaterpark e não me arrependi: a cidade toda lembra um conto de fadas, como se uma princesa perdida pudesse surgir cantando a qualquer momento, ou um animal falante pedir sua ajuda.

A antiga vila medieval é recheada de canais e repleta de pontes de pedra, o que me lembrou uma coisa meio “Caverna do Dragão”. A cada esquina se vê uma loja vendendo chocolates e várias mansões medievais. Na Heilig Bloed Basiliek dizem (DIZEM) que há um frasco contendo gotas do sangue lavado do corpo de Jesus Cristo por José de Arimatéia. Como duvido muito, não paguei pra ver. 

E na praça, há a torre Belfort, erguida no século XIII e onde fica guardada a carta constitucional da época medieval.  Bruges é sem dúvida uma parada imperdível para quem for à Belgica. Se pensa em visitar Bruxelas, não perca a oportunidade de conhecer essa charmosíssima cidade.

No final do dia, peguei o trem de volta para a capital.

Belfort, a torre do relógio

Publicado por: Renné | 19/11/2009

Bruxelas

Quando o avião começou a se preparar para pousar na Bélgica, tive a impressão que se tornaria definitiva sobre as contruções de Bruxelas: pareciam casas de bonecas. Todas pequenas, limpinhas, como se tivessem sido acabadas de serem tiradas das caixas  para brincar. Mas o país não gostou de mim, me recebeu com uma chuva que não pararia hora nenhuma. Bem fina, apertando em momentos cuidadosamente escolhidos para atrapalhar a minha vida. Fazia oito graus em Bruxelas quando fui pegar o trem do aeroporto até a estação próxima ao albergue. Mas logo naquele dia, os maquinistas estavam de greve…

Grand Place

Fui procurar um ônibus e com mais de uma hora depois do previsto, cheguei ao centro da cidade. O primeiro lugar para passeio foi a Grand Place ou Grote Markt. Explico: em Bruxelas se fala francês e alemão. As duas línguas! As placas nas ruas tem um nome em cada idioma, e as pessoas conversam cada hora de um jeito. Na TV você vê “That 70’s Show” com legendas em alemão e no canal seguinte, “Friends” dublado em francês…

No meio dessa babilônia, consegui achar o famoso Manneken Pis (a estátua do menininho fazendo xixi) e o Centre Belge de La Bande Dessinée. Traduzindo: o Centro Belga de Histórias em Quadrinhos! Afinal, este é o país do Tintin e dos Smurfs. Pude ver várias das ferramentas dos Smurfs em tamanho natural, assim como veículos, roupas e armas do Tintin.

Museu dos Quadrinhos

Comi duas famosas especiarias belgas, a batata frita (es-pe-ta-cu-lar) e o chocolate; e depois fui à bela catedral de Saint-Gudule e de lá andei bastante até o Palácio Real, que fica bem à frente do Parc de Bruxeles. Depois voltei à Grand Place para ver o restaurante Maison Du Cygne, onde Marx escreveu o Manifesto Comunista: mas nem entrei, porque os pratos custavam em média 70 euros… Ah, o capitalismo…
No albergue conheci um casal dos Estados Unidos e um russo, e dormi cedo para descansar da noite anterior em claro. No dia seguinte fui ao Jardim Botânico e resolvi pegar o trem para uma cidadezinha vizinha que tinha muita curiosidade para conhecer desde que vi um filme inteiro rodado lá: Bruges.

O Palácio Real

Publicado por: Renné | 18/11/2009

O terminal

No aeroporto de Genebra lembrei bastante do filme “O Terminal”, do Spielberg, em que o personagem do Tom Hanks tem que ficar morando em um aeroporto. É muito estranho você permanecer naquele lugar, pois ele é feito para a passagem. Não há nada em um aeroporto que te dê vontade de permanecer ali. Nem vou entrar em discussões teóricas de entre-lugares e não-lugar, mas o aeroporto é definitamente um péssimo lugar para ficar. As cadeiras de espera são todas divididas com braços altos, como se fizessem questão de impedir qualquer um de deitar, há ainda a luz muito forte, que te faz se sentir o tempo inteiro em um interrogatório.

Pausa para explicar o aeroporto de Genebra: em formato de um L deitado, a fachada do aeroporto comporta  uma espécie de shopping em sua esquina. Lá dentro tem supermercado, lanchonetes, lojas de todos os tipos e cadeiras mais confortáveis. Quando vi aquilo, não tive dúvidas, era ali que passaria a minha noite.

Fim da pausa. Começo dos problemas. Ali sentadinho e abraçado com a minha mochila (para as viagens ficarem mais baratas, não despachei bagagem, então tudo tinha que caber na minha mochila) tentei dormir. Quando estava quase conseguindo, por volta de meia noite, fui acordado por um segurança, que me avisou que o shopping estava fechando. Eu perguntei como assim fechando, o aeroporto fecha? Ele me explicou que o aeroporto era separado do shopping, mas que podia ir para lá, que estava aberto. Isso significava andar uns 100 metros num frio que eu nunca tinha sentido antes. Mas tudo bem. Saí do shopping, a porta se trancou atrás de mim, cheguei no aeroporto, corri em direção à porta automática de vidro e… ela não abriu! O aeroporto estava fechado! Não era possível! Onde iria passar a noite? E com esse frio!

Logo apareceu um suiço que só falava francês ( e nos comunicávamos com meu francês mais ou menos, misturado com muita mímica) e um adolescente que acho que não falava nada (talvez fosse mudo, não sei). Os três presos do lado de fora. Não me dei por vencido e saí contornando o aeroporto, testando uma por uma as portas automáticas. Na última (tinha que ser a última) havia uma pequena abertura, o suficiente para passar a mão. Enfiei a minha lá e pensando positivamente “por favor, que não toque nenhum alarme e eu não seja preso aqui” forcei a abertura e a porta abriu o suficiente para que eu conseguisse passar. Fiz sinal para os outros dois entrarem. Logo após a porta de vidro havia outra porta de vidro, esta totalmente fechada. Mas tudo bem, pelo menos estava em um lugar mais quente. Então o suiço resolveu forçar a porta fechada e conseguiu abri-la. Entramos no aeroporto! Aí foi procurar um lugar para tentar dormir, ser acordado por um policial enquanto estava quase pegando no sono (eles passam de duas em duas horas confirmando se quem está dormindo lá realmente tem voo para pegar) e finalmente embarcar para Bruxelas com a maior olheira do mundo. E se eu estava achando a Suiça fria, a Bélgica estaria bem mais.

Igual eu tentei fazer...

Publicado por: Renné | 18/11/2009

Pára tudo: Portugal na Copa!

Pausa nos relatos de viagem para contar que após um dramático jogo contra a Bósnia - que acabou de acabar -, vencido lá por 1 a 0, a seleção portuguesa de futebol vai pra Copa de 2010, na África do Sul! Depois de muita ansiedade e sofrimento, os portugueses conseguiram se recuperar na repescagem e agora é uma festa só!

Voltamos à nossa programação normal…

Selecionado português: se Cristiano Ronaldo parar de machucar, já vai ajudar bastante

Publicado por: Renné | 18/11/2009

Genebra

Cheguei na Suiça em uma fria tarde de outono. Era umas duas da tarde quando desembarquei no aeroporto onde teria que embracar de novo às cinco da matina. Genebra acabou sendo uma espécie de escala de luxo. No aeroporto mesmo pedi um mapa da cidade e perguntei como fazia para chegar ao centro. O plano era ficar passeando ate umas dez da noite e então dormir/cochilar no aeroporto até a hora do voo para Bruxelas. Peguei um onibus super moderno e desci no ponto logo após a ponte que atravessa o lago Léman.  Andei pela orla até chegar ao Jardin Anglais (onde fica o fantástico relógio de flores) e fui surpreendido pela quantidade de gaivotas e cisnes no local.  O jardim estava bonito com a coloração vermelha e amarela das folhas do outono e do lago saía um vento de gelar os ossos. De lá fui me aventurar pelo centro histórico da antiga cidade medieval, toda formada por seus prédios baixos, meio achatados e cheios de relógios. A cidade tem um aspecto cinzento – não apenas pelo tempo fechado, mas também pela cor das pedras de suas contruções – entrecortado por paineis luminosos e muitas bandeiras vermelhas do país. 

Saint-Pierre

Fui até a Cathedrale Saint-Pierre, onde Calvino pregou a Reforma Protestante.  Já anoitecendo, cheguei ao Parc des Université Bastions, onde ficam enormes tabuleiros de dama e xadrez com suas peças gigantes para as pessoas jogarem. Bem em frente ao parque, um busto de Henry Dunant, o fundador da Cruz Vermelha. 

De repente eu me lembrei do chocolate suiço. Como poderia deixar de comer um? Tinha me esquecido completamente e agora parecia tarde demais porque tudo já estava fechado. Finalmente achei uma loja aberta, um senhor estava empilhando as cadeiras, eu entrei e peguei dois chocolates, falei que queria comprar e já estava com o dinheiro na mão, quando tive um bom exemplo do modo de ser suiço: o senhor pediu desculpas mas disse que já tinha fechado a loja. Eu estava ali, com o chocolate e o dinheiro na mão… mas ele não me vendeu porque já tinha passado da hora. Sério.

Continuei minha jornada até encontrar uma loja dentro de um shopping que, esta sim, não estava fechando. Comprei uma barra e saí comendo pelas ruas de Genebra, enquanto tirava fotos. Mais turista impossível. Depois, já com muito frio, resolvi voltar ao aeroporto e tentar dormir até o horário do voo. Ou foi o que eu pensei…

A gelada Genebra

Publicado por: Renné | 17/11/2009

Voltei!

Depois de quase 15 dias rodando pelo velho continente, estou de volta à Braga. Muito cansado, mas também muito feliz com tudo que vi e vivi. Me alimentei mal, dormi mais ou menos e passei frio como nunca, mas valeu a pena. Tudo começou com um e-mail promocional de passagem de avião anunciando um voo para as comemorações de 20 anos da queda do muro de Berlim por 16 euros. Abri o e-mail já com a certeza de que não perderia essa oportunidade. Mas adivinhe, era propaganda “enganosa”: os 16 euros eram de um voo de Bruxelas, na Bélgica, para Berlim. Fui olhar as passagens de Portugal para a Alemanha e estavam muito caras, super inflacionadas por causa da comemoração. Mas resolvido a ir aos 20 anos da queda do muro, pensei comigo “e se eu conseguir uma passagem barata para a Belgica, talvez compense lá pegar esse voo de 16 euros para Berlim…”. Só que não havia passagem barata para a Belgica, mas sim para Genebra e de lá uma pechincha para Bruxelas… Enfim, acabei indo de promoção em promoção e descobri que sairia muito mais barato ir de país para país do que pagar um voo direto Portugal-Alemanha. A passagem mais barata que encontrei de volta para Portugal era em Roma, então essa cidade deveria ser o fim da viagem. Mas nao havia passagens baratas de Berlim para Roma, por isso compensava ir para Veneza antes, e de lá, ir quase de graça para Roma e aí voltar para Portugal. Reservei os albergues mais baratos que encontrei: todos eram quartos divididos, que variavam de três até oito pessoas.   O preço dos voos variava de um dia para o outro, por isso, meu tempo de permanência em cada cidade foi decidido de acordo com a passagem mais barata. Assim, fiquei apenas metade de um dia em Genebra e quatro dias em Roma, por exemplo. No final, o percurso foi Genebra-Bruxelas-Berlim-Veneza-Roma. Como hoje estou cansado demais, amanha conto sobre Genebra.

Gaivotas na Suiça

Publicado por: Renné | 13/11/2009

Até a volta!

Estou viajando. Os últimos posts que foram publicados aqui foram programados para não deixar o blog às moscas. Mesmo este de agora foi escrito antes da viagem.  Fui dia 04 e volto para Portugal dia 17. Vou passar por alguns países mas, se tudo der certo, hoje, quando este post for publicado, já terei chegado ao meu objetivo principal: Berlim, durante as comemorações de 20 anos da queda do muro.  Quando voltar, conto tudo. Dia 17 de novembro estou de volta e até lá não terá mais post… Até breve!

vai ser especial

Dominós gigantes colocados no lugar do muro serão derrubados durante a comemoração

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