Eu me lembro muito bem do e-mail de uma professora portuguesa aceitando me orientar em sua Universidade. A partir daí, toda a correria para escrever o projeto, conseguir a bolsa, o visto, os preparativos para a viagem. A ansiedade, a dor de deixar para trás pessoas que eu amo. E agora, acabou.
Eu vejo duas fases distintas da minha vida fora de casa. Uma primeira, até fevereiro ou março, que é da descoberta e adaptação. Conhecer uma nova cultura, entender o andamento das coisas. E a seguinte já mais tranqüila, como alguém já adaptado e acostumado com a sua nova realidade. Mas é claro que sempre faltou algo. Por mais que te tratem bem, por mais que se acostume com a situação, você sempre é um estrangeiro, alguém que não pertence àquele mundo. Há uma sensação de ser incompleto, que você nunca é você mesmo.
Só agora, na hora de voltar, é que percebo isso mais claramente. Quero muito rever minha mãe, minha irmã, namorada, todos os amigos. Foi uma experiência única, tanto profissional quanto pessoalmente. Visitei lugares incríveis e conheci pessoas maravilhosas. Mas é com os nossos que nos completamos, e estou ansioso para pegar esse novo caminho. No momento sinto uma ansiedade enorme, pois quando saí do Brasil, sabia que ia voltar. Agora saio de Portugal sem saber se algum dia volto. Às vezes me pego olhando a programação do cinema da semana seguinte, como se eu ainda fosse estar por aqui. Mas não estarei.
Este é meu último post: o blog não tem mais sentido para existir. Isto aqui foi um espaço muito especial para mim, onde eu podia desabafar e manter a lucidez e ao mesmo tempo dar notícias para todo mundo. Até o momento que escrevo, 28.778 visualizações em menos de um ano. É muito mais do que eu podia imaginar e agradeço a todos que me fizeram companhia por aqui. O blog não será mais atualizado, mas continuará online, perdido no infinito espaço virtual. Acho que vai ser interessante reler algumas passagens depois que toda a poeira abaixar. Obrigado e um grande abraço! Foi bom demais passear com vocês neste entrecaminhos.

A última foto que tirei em Portugal...



De Fátima para Coimbra. Como estamos no período das férias, nada das famosas festanças de repúblicas estudantis na cidade da mais antiga universidade portuguesa (século XIII). E claro que lá fomos nós para a lendária universidade. Vimos a Torre da Faculdade de Direito e a famosa biblioteca joanina, fundada no século XVIII.
de reis portugueses, a cidade parece não possuir mais a imponência de outros tempos. Para mim, mais do que os aspectos históricos em si, o que mais chamava a atenção era reconhecer alguns lugares que foram descritos por Eça de Queiroz na sua obra-prima “Os Maias” (e que, claro, aparecem também na minissérie da Globo).
De Sintra e Lisboa, pegamos um ônibus para a cidade-santa portuguesa: Fátima. Em 13 de maio de 1917, três crianças (Lúcia, Francisco e Jacinta) levavam um rebanho até que, por volta do meio-dia, pararam (como sempre faziam) para rezar o terço. De repente, viram uma luz brilhante, onde se encontrava “uma senhora mais brilhante que o sol”, segurando um terço. Era a “Senhora do Rosário”, e praticamente todo mundo daqui e daí já ouviu falar do santuário e dos seus segredos. Eu não pretendia ir
a Fátima, mas fui pelo pedido dos meus avós, devotos da santa. O lugar impressiona. Quente, árido, claro e grandioso, o Santuário de Fátima é um local de fé.
lado da capital. A cidade de 23 mil habitantes era o local preferido dos reis portugueses para passarem as férias de verão. Nas colinas da cidade se encontram os mais suntuosos palácios e para visitá-los a melhor opção é pegar um ônibus ou alugar um carro. É claro que nós não sabíamos disso e fomos a pé. Não faça isso…
nfinita, em uma estrada sem passeio ou encostamento, com carros e ônibus tirando casquinha de você. Ou morre de cansaço ou morre atropelado. Mas bem, basta dizer que lá em cima a paisagem compensa. Quer dizer, o preço é meio salgado, mas depois de andar isso tudo, não há muita alternativa a não ser entrar no palácio.
O Oceanário de Lisboa não faz parte do destino turístico comum de quem visita a cidade: a preferência é claramente pela parte histórica, como Belém e o centro. Meio “escondido” no Parque das Nações, é um lugar que merece ser descoberto. Mais do que isso, uma ida ao oceanário é um programa imperdível em Lisboa.
, o oceanário busca reproduzir os quatro cantos do planeta: mudam os peixes, muda a iluminação, muda a temperatura. E de pé, ao lado do gigantesco aquário central, você se sente um pouco parte daquele mundo, como se estivesse acabado de chegar em um outro planeta.
ue cheguei em Braga escuto falar do Mosteiro de Tibães, mas só agora, já no finalzinho da minha estada por aqui, que consegui vista-lo. Isso porque
apesar de ficar em Braga, sua localização é muito, mas muito muito muito longe do centro da cidade.
